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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Les Ami



Quase me faz chorar
Muito da sua maneira:
Uma mistura de doce com amargo,
Colherzinha de café numa xícara de açúcar.

Pra casa volto sentindo o vento
Me batendo no rosto
Implorando pra que eu a esqueça,
Me alertando antes que eu enlouqueça;

É que ela é a mulher dos meus sonhos,
Em timbre, cor, tamanho e delicadeza.
E em minhas mãos ela encaixa tão bem,
Que chego a pensar serem só minhas
Todas as harmonias que ela sozinha detém;

E quando ela se vai,
Me deixando numa saudade eterna,
Buscando vestígios de seu cheiro,
Abraço a parte que dela me resta;

E fechando meus olhos acordado,
Cuidadosa, meiga, incerta...
Eu a posso ver clara,
Iluminando minha noite deserta.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Instante (música minha e de Rommel Ribeiro)



Vejo os instantes
Que se passam,
E eu aqui,
Parada, letárgica;
Com esse olho que não vê
E essa mão esquecida
Debaixo do queixo...
Aqui algo fundo
Pergunta por você...

E a espera densa,
Angústia intensa,
A esperança afogueada,
Em volta há menos que nada;
Uma sobra imensa
Do que não há...

Sinto que o instante
E toda espera
Não me leva a nada
Nada, nada, nada, nada, não!
Apenas ardem,
Como eu e você...

A gente já não passa
De um instante!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Exercício de Poesia com o João


Amigo é também pra essas coisas.
Fazendo poesia comigo pelo msn, às duas da manhã.
=]

depois eu cortei os pulsos
e bebi o sangue até a última gota
até ressucitar
das cinzas cor-de-sangue
até abrir as asas de mim novamente
e de mim saltar,
soltar um grito de gratidão por ainda estar respirando
e espiando o que eu deitei ao chão,
um pouco de corpo num copo de solidão,
beber beber até cair bêbada, maravilhada e tonta,
sentindo o oco de antes
preenchido de lágrimas, vísceras, sonhos e coração.

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cor da oração,
reza a lenda uma linda flor de pétala
sedenta de orvalho-lágrima
me deixou levar a última estação.
ela então me levou de volta ao chão,
e de lá eu me via alto, pois dos pés
da flor eu sugava a seiva
que me devolvia toda emoção,
noção do tempo nem tinha jardim,
nem de mim,
o sopro, o solo, a sola da terra
crispou o meu inicio de estiagem
mas fizesse vento, chuva ou sol,
sendo ela minha guia,
ainda assim eu seguia viagem.

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vi a gente,
vi a tua voz mudar de cor,
era outro tom
tinha mais sabor,
seria séria a lingua
que balbuciou um antigo carnaval
seria breve e à mingua
como os versos de um refrão,
seria quente e eterno
como a noite de um verão
e os que ainda não viram
verão e virão a ver
o dia depois do verão,
o que sobrar do chão
e o que não cair do céu...
até onde a vista couber de ilusão...
o resto será tudo desvãos.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Abismo ou Refúgio


Deixa os olhos teus
Lavarem o que resta
De dor nos cantos meus...
Deixa os olhos teus
Luz dos olhos meus
Luzirem desordenados sobre mim;
Mostra esses olhos claros
Pro meu mundo
E traz a eles um pingo
Um viés de ilusão
Que a beleza existe em tudo, tudo
E que olhos caros como os teus
São o abismo ou refúgio
De quem procura na vida
Um sinal, ainda que pálido
De um amor que se perdeu.