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domingo, 13 de março de 2011

Pra que pressa?

Pra que pressa, se a gente tem sinceridade?
Pra que abafar o gozo, desdenhar da sorte? 
Toda alegria que se tem na vida, meu bem,  
faz a gente se afastar da morte
e o tempo é um detalhe, quando o desejo é infinito.
Dos erros que cometi nessa vida, meu amor
você foi o mais bonito.

A enorme força da delicadeza

Uma borboleta brota
Da flor que canta
E grita suave o verde
Entre o zumbido manso
Das abelhas incansáveis...

Uma brisa fina
Refresca o tempo
E o azul do céu escorre
Macio, pelo horizonte pleno
De sol e coloridos montes...

Tudo tão simples e belo
Como são todas as verdades
E é cristalino
Como o olho do justo...

Na serena vibração
Na tom da melodia da terra
Na batida do coração,
No fluxo da seiva, na graça
Das coisa todas vivas
Tudo respira, vê e pulsa...

Nesta ternura infinita
De pés descalços e alma imensa...
Eu me deito para sentir
A enorme força da delicadeza.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Sereno




Amor, eu me vou
Fica gasto aos pés do sereno
Que eu vou de ir

Minha vida há de seguir
No caminho há de florescer
Amor, o bom da vida
É só viver

E eu não vou reclamando
Do destino que não quis
Que este caso tivesse
Desfecho mais feliz

Vou chorar de saudade
Mas vai ficar na memória
Um sonho bonito de sonhar
Uma beleza de história

Você fica na soleira
Em pé no sereno
Que eu vou curar essa dor
Nos braços de outro moreno.


Nathalia Ferro.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

As Flores


Até hoje caderno vazio
Verso sem fio de condução
Até hoje nada
Mente lacrada
Pé enterrado no chão

De abandono me visto
Não sigo o que sinto
E minto a direção

Cores alucinantes são
Nos quadros que pinto
Paredes de ar
Painéis de ilusão

Ando perdida entre as flores
E vejo que estão vivas
E noto que são livres
Mesmo presas ao chão.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Café e Pão

Pra ver de perto
Sorrir aberto
Pra crer bem mais
No sentir...

Pra ter um teto
Um colo, um neto,
Um sonho,
Um amor pra vestir...

Pra ser sincera
Dizer que quero
Nunca mais sair...
E ser deserto
Se o mundo incerto
Levar meu bem daqui...

É que espero alguém
Assim,
Muito afim de mim,

Vontade de alguém
Assim,
Feito só só pra mim...

No céu e no chão,
Pr'o café e pr'o pão,
Para o sim e o não,
Para o meu coração.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Ao Meu Amor


Imagem: Jana Magalhães.


Olho pra você
E a verdade é quem me responde pronta.

Foi no nosso dia-a-dia
Que fiz crescer minhas raízes:
No som inaudível
Dos seus passos rápidos pela casa,
Sempre retornando para mim;
Na sua voz mansa, doce,
Me dizendo sempre tão pouco;
No seu olhar risonho,
Me revelando sempre tanto;
No seu abraço quente,
Que é a minha morada verdadeira...

Olho pra você,
E observo sua serenidade infinita;
A beleza de você dormindo
Sendo superada pela grandeza
Do seu despertar...

E redescubro todos os dias,
Entre seus beijos e carinhos tão naturais,
As certezas mais bonitas;

E você desvenda pra mim,
Entre nossos elos mais triviais,
O real fundamento da minha vida.

Torto do Meu Jeito


Imagem: Ann Tarantino.

Eu não sei fazer cubos perfeitos.
Nem laços perfeitos.
Nem flores perfeitas.

Eu não sei fazer nada direito.

Mas insisto,
E persisto
Na boa hora de ajeitar o traço,
De apertar o laço.
De pintar a flor.

Deve ser coisa do acaso
Deve ser caso de quem é torto
De dentro;

Eu que não acerto um passo,
Eu que não entendo como
Endireitar meu pensamento.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Eterno Retorno


Logo-logo estou de volta,
Pra você
Que não está nem aí.

Tão logo começo a falar
E você se põe a dormir.

Daqui a pouco estou chegando,
Pra não ter nenhuma atenção;
Pra te ver me negando as migalhas
Que te sobram do coração;

E não tem jeito...

É como se eu
Não pudesse pensar direito,
E insistisse
No que nunca existiu;

O pouco que tive,
A muito partiu;
Sem rumo, nem chance,
Nem retorno;

E fico eu nessa volta sem fim,
Querendo mostrar
Que com você é que quero ficar...

Mesmo se for
Pra errar tudo de novo.

Caminha(dor)


Deixa ele seguir caminho
Com o cachorro e o Sol
E de mãos com a solidão

Deixa ele parar
Na beira da estrada
E olhar perdido pra nada
Que guarda como recordação

Deixa ele passar
O frio que se passa
Quando não se tem amor
Nem coração

E subir exausto
De carona
Na boléia da dor
Ou do caminhão

Sabe que ele vai fugir
O quanto puder
E é isso que você quer
Que esqueça a sua direção

Mas que leve marcado em sua história
No peito, no braço e na memória
Seu nome, riso, fogo...
E aquela canção.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Desvairada (Música)


Um dos presentes mais lindos que ganhei este ano.
Música feita pra mim, por meu querido Tiago Quevedo, cuja amizade também foi um dos grandes presentes que ganhei... da vida.


Desvairada
(Tiago Quevedo/Daniel Mondego)

Esse som é meu refúgio
E as notas me inebriam
No olhar da contramão
Eu enfrento a multidão

Sou apenas existência
Um poema uma canção
Sou a arte em sua essência
E as vezes solidão

No meu modo eu resisti
Sou quem sou e o que vivi

Encantada como um anjo
Desvairada me arranjo
Mas nas notas do meu canto
Só eu sei o que senti

Enfrentando meus anseios
Relutei em prosseguir
Mas meu vôo é do meu jeito
E pressinto conseguir

Eu só acredito em mim
Desvairada sou assim...

E a todos que amam
Me julguem por quem sou
A liberdade nunca é em vão.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Abre Aspas

Imagem: Ann Tarantino.



Escondi entre as flores
De papel-machê-manchadas,
Numa caixa de cetim vermelho,
Uma foto polaroid enevoada.

Teu sorriso amarelando,
Já meio roído de traças,
E no verso uma promessa
Que nunca vingou...

Entre os tons decadentes das flores
E a esperança empoeirada,
Te fazem companhia minha dor,
Suas traças...

E trancafiadas para sempre
Na mesma sangrenta caixa,
Todas cores que teu sorriso
Me levou.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Instante (música minha e de Rommel Ribeiro)



Vejo os instantes
Que se passam,
E eu aqui,
Parada, letárgica;
Com esse olho que não vê
E essa mão esquecida
Debaixo do queixo...
Aqui algo fundo
Pergunta por você...

E a espera densa,
Angústia intensa,
A esperança afogueada,
Em volta há menos que nada;
Uma sobra imensa
Do que não há...

Sinto que o instante
E toda espera
Não me leva a nada
Nada, nada, nada, nada, não!
Apenas ardem,
Como eu e você...

A gente já não passa
De um instante!

Se Ele Voltar


Sei que vocês vão dizer
Que de tanto amar
Eu deixei de viver

Que a dor desse amor
Me roubou a razão
Que é pouco de mim
O que sobrou, desde então;

Sei que é loucura querer
Mas já me esquivei
E o destino não quis

Que longe desse amor
Eu fosse feliz
E agora o que resta
É somente aceitar;

Deixem que eu fuja de mim!
Se não, vou explodir
Vou gritar, vou morrer!

A saudade que dá
Não consigo conter
Aquele olhar levou
Toda a minha paz...

Ah! Mas se ele voltar
Pode o mundo ruir
Pode o céu se acabar

Me canso de sorrir
E até de cantar
Mas nunca
Me canso de perdoar!

Urgente



Se eu tiver de amar
Que seja agora!
Que seja enorme
E não triste como outrora

Que seja suave
Alegre e constante
Brisa fresca e verdejante
A rebuscar-me o rosto

Que seja urgente
Que seja supremo
Que seja sereno
Como um conto de verão

E que este amor
Ainda que não dure
Me marque e me fure
Bem forte e profundo

Que é também com a dor
Com a lágrima e o tremor
Que se faz de num só segundo
O maior amor do mundo!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Sobre Letras e Quedas




A folha em branco é meu espelho.
Estou aqui, tão pálida quanto crua,

Aguardando ser escrita...

Risco-me a folha
tentando inserir-me o conteúdo
Espalho sobre o papel os relatos do meu interior


[sem escrever não vivo
permaneço, mas não existo]

A folha caindo da árvore é meu espelho.
Quando é outono dentro de mim
também despenco
dos princípios que me agarram
e da moral que me sustenta

[Tem momentos em que me atirar ao vento
é ato de respeito
à minha própria natureza...]

Caio... linda e elegantemente
Pouso de borboleta
Mergulho no leito do solo

A lagarta, lá embaixo
me aguarda com fome
E eu só queria um colo!

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Eternos Instantes


Vago cada instante como se no infinito todos eles se precipitassem... Como se eternamente eu os vivesse e como se por isso mesmo eu não devesse me cansar deles... Vivo agora os momentos frios que me abordam e não me acrescentam quase nada. Antes, sim, houvera em mim uma busca mais forte por emoções mais fortes ainda. Agora não. Agora sobra aqui um marasmo... Um confuso desconsolo. Uma sobra do que não há. E também não sei por que as coisas mudam tão bruscamente dentro de mim. Por que vivo horas alucinantes, e por que as mesmas horas depois de mínimos dígitos de segundo passam a me entediar muito profundamente. Então fico assim... Pasmada, letárgica... Com esse olho q não vê e essa mão desmaiada debaixo do queixo. Assim, como quem espera adormecer estando insone, ou como quem se entrega às resignações de um dia perdido... Eu por enquanto não estou. Eu permaneço. Sôfrega, morrendo de pena de mim, quase, mas permaneço. Permaneço onde estou e sem querer sair. Permaneço sentindo, sem querer combater qualquer espasmo de dor, ou suspiro de impotência. Permaneço incógnita de mim... Mas não posso negar que continuo tranqüila. E não de uma maneira mórbida. Eu transpareço a tranqüilidade dos justos, a tranqüilidade dos sãos e dos que têm paz. Dá então pra sugerir que os instantes que não passam... Eles não destroem nada... Eles apenas machucam... E apesar de infinitos, no final de tudo eles são apenas instantes...
Porque inclusive eu, no fim de tudo, não passo de um instante...

Abismo ou Refúgio


Deixa os olhos teus
Lavarem o que resta
De dor nos cantos meus...
Deixa os olhos teus
Luz dos olhos meus
Luzirem desordenados sobre mim;
Mostra esses olhos claros
Pro meu mundo
E traz a eles um pingo
Um viés de ilusão
Que a beleza existe em tudo, tudo
E que olhos caros como os teus
São o abismo ou refúgio
De quem procura na vida
Um sinal, ainda que pálido
De um amor que se perdeu.