sexta-feira, 13 de março de 2009

Se Ele Voltar


Sei que vocês vão dizer
Que de tanto amar
Eu deixei de viver

Que a dor desse amor
Me roubou a razão
Que é pouco de mim
O que sobrou, desde então;

Sei que é loucura querer
Mas já me esquivei
E o destino não quis

Que longe desse amor
Eu fosse feliz
E agora o que resta
É somente aceitar;

Deixem que eu fuja de mim!
Se não, vou explodir
Vou gritar, vou morrer!

A saudade que dá
Não consigo conter
Aquele olhar levou
Toda a minha paz...

Ah! Mas se ele voltar
Pode o mundo ruir
Pode o céu se acabar

Me canso de sorrir
E até de cantar
Mas nunca
Me canso de perdoar!

O Grão de Nós


Há de existir algum lugar para nós.
Nalgum ponto perdido, em alguma amplidão sem rumo nem caminho conhecido, haverá o nosso lugar.
Nele florescerá o avesso de toda distância que nos massacrou. Serão suprimidos e varridos para quilômetros de nós todo abismo e toda perda. Não haverá mais dores nem desenlaces, nem saudades, nem solidões veladas. Apenas a luz viva dos nossos olhos a se fitarem, marcados de sonhos que renascerão intactos, como o Sol que após a tempestade emprenha a terra de vida e esperança.
E seremos eu e tu imensamente um só. Uma semente de felicidade adornada pelo brilho das estrelas, abraçada pelo infinito universo. E seremos nós um grão genuíno e imperturbável de paz imperando humilde no tão aterrorizante caos, ou no mais remoto nada...

Urgente



Se eu tiver de amar
Que seja agora!
Que seja enorme
E não triste como outrora

Que seja suave
Alegre e constante
Brisa fresca e verdejante
A rebuscar-me o rosto

Que seja urgente
Que seja supremo
Que seja sereno
Como um conto de verão

E que este amor
Ainda que não dure
Me marque e me fure
Bem forte e profundo

Que é também com a dor
Com a lágrima e o tremor
Que se faz de num só segundo
O maior amor do mundo!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Exercício de Poesia com o João


Amigo é também pra essas coisas.
Fazendo poesia comigo pelo msn, às duas da manhã.
=]

depois eu cortei os pulsos
e bebi o sangue até a última gota
até ressucitar
das cinzas cor-de-sangue
até abrir as asas de mim novamente
e de mim saltar,
soltar um grito de gratidão por ainda estar respirando
e espiando o que eu deitei ao chão,
um pouco de corpo num copo de solidão,
beber beber até cair bêbada, maravilhada e tonta,
sentindo o oco de antes
preenchido de lágrimas, vísceras, sonhos e coração.

--------------------------------------------------

cor da oração,
reza a lenda uma linda flor de pétala
sedenta de orvalho-lágrima
me deixou levar a última estação.
ela então me levou de volta ao chão,
e de lá eu me via alto, pois dos pés
da flor eu sugava a seiva
que me devolvia toda emoção,
noção do tempo nem tinha jardim,
nem de mim,
o sopro, o solo, a sola da terra
crispou o meu inicio de estiagem
mas fizesse vento, chuva ou sol,
sendo ela minha guia,
ainda assim eu seguia viagem.

--------------------------------------------------

vi a gente,
vi a tua voz mudar de cor,
era outro tom
tinha mais sabor,
seria séria a lingua
que balbuciou um antigo carnaval
seria breve e à mingua
como os versos de um refrão,
seria quente e eterno
como a noite de um verão
e os que ainda não viram
verão e virão a ver
o dia depois do verão,
o que sobrar do chão
e o que não cair do céu...
até onde a vista couber de ilusão...
o resto será tudo desvãos.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Poema aos Olhos Daquele Menino



Os olhos daquele menino
Têm algo que é triste.
São dois bagos negros
Que bóiam no infinito.
São duas ônix perdidas
Na clareza pura
Daquele olhar tão bonito.

Os olhos daquele menino
Têm algo que é profundo...
Como se o tempo e as dimensões
Precipitassem em si mesmos
A desvalia dum amor perdido
E grandeza de todo amor do mundo.

E eu os sinto partindo e voltando
Ao porto da minha mente,
Como barquinhos cambaleantes,
Indo e vindo em focos lúcidos
Cada vez mais permanentes.

Aquele menino tem olhos de entardecer,
Olhos de verso triste
E de prosa descontinuada...
E tem ollhos de mistério,
Daqueles que dizem tudo em entrelinhas,
Mas fora delas não dizem nada.

E ele às vezes tem olhos de noite,
De lobo peregrino.
Olhos muito serenos, um tanto famintos,
E tão senhores de si,
Que se eu desconhecesse de quem são de fato
Jamais diria serem daquele menino.

Os olhos daquele menino
Têm algo que não se basta com nada.
E assim, tão sem se bastarem,
Destroem alegrias almejadas,
Pisam na paz conquistada,
Distorcem qualquer razão,
Brincam de sentir emoção,
E voltam-se
Tristes, serenos, amaros, profundos,
Aos movimentos dedilhados
Nas cordas daquele violão.

Aqueles olhos possuem
Algo que só existe
A sete alturas do céu
E a sete palmos da terra.

E desse luzir tão estranho
Procuro extrair poesia,
Embora haja em mim
Muito mais forte
Apenas o desejo e a sorte
De vê-lo iluminar só a mim, um dia.

Os olhos daquele menino desejo beijar.
Cuidadosamente acariciá-los fechados...
As pálpebras feito duas conchas cintilantes
Expostas à luz do luar.

E então,
Os olhos daquele menino
Têm algo que nostalgia...
E são lindos, e tão meigos,
Como estrelas matutinas
Enfeitando o céu do Sol.

Mas não são meus,
Tampouco de alguém.
E eu aqui,
Tonta, boba, magnetizada,
Me desfaço dentro em mim,
Tentando desvendar aquele olhar
E todas as suas metáforas,
E antíteses,
E sinestesias...

Talvez eu devesse apenas descrever
O quão pequenina continuaria a ser,
Se de repente,
Em meu destino,
Tão bruscos e belos,
Não houvessem aparecido
Os olhos daquele menino.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Legado



Nas ruas onde habitas
Não sobra nada
Tampouco a vida.
Não fica nada, apenas a ira
Amaciada e gasta
Dos teus sonhos mortos.
Não levas nada
Abandonas tudo pelo caminho.
Nem sequer lembranças
Guardarás de recordação.
Fica apenas o peito doído e seco,
Apenas a inglória e a escassa estória,
Somente o peso dum vazio sem cor nem memória,
Somente o teu legado de nãos.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Tua Ausência



A tua ausência
Ronda os espaços
Onde habito,
Como um anjo da dor
A sugar-me a vida.

E ela olha-me
De espreita.
Olha-me com os olhos negros
Me cegando a alma,
Me secando o ventre.

Roendo as cordas
Do tempo,
Ela segue muda
Me deixando surda
De tanto silêncio.

A tua ausência plena
Páira inerte
Sobre minha cabeça,
E fingindo pena de mim
Diz que existe
Pra que eu te esqueça.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Sobre Letras e Quedas




A folha em branco é meu espelho.
Estou aqui, tão pálida quanto crua,

Aguardando ser escrita...

Risco-me a folha
tentando inserir-me o conteúdo
Espalho sobre o papel os relatos do meu interior


[sem escrever não vivo
permaneço, mas não existo]

A folha caindo da árvore é meu espelho.
Quando é outono dentro de mim
também despenco
dos princípios que me agarram
e da moral que me sustenta

[Tem momentos em que me atirar ao vento
é ato de respeito
à minha própria natureza...]

Caio... linda e elegantemente
Pouso de borboleta
Mergulho no leito do solo

A lagarta, lá embaixo
me aguarda com fome
E eu só queria um colo!

domingo, 5 de outubro de 2008

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

A Jogada



[você tentando me ensinar a jogar xadrez,

e eu louca pra levar um xeque-mate.

não sou muito fã de jogos,

mas adoro comemorar com o vencedor.]